Sobre a morte de Lorenzo de' Medici

Atualizado: Abr 29

Carta de Jacopo Antiquari para Angelo Poliziano

traduzida por L.R.H. da obra latina Angeli Poliziani Epistolarum Liber Quartus

Lorenzo il Magnifico. By Giorgio Vasari, 1534

Jacopo Antiquario cumprimenta seu amigo Angelo Poliziano!


Até o dia nove de abril eu estava longe de Pavia. No dia seguinte, quando, em razão de seu cargo de Escrivão Municipal, visitei aquele homem muito culto, Jacopo Posterla, ele me abraçou com amabilidade e depois me disse que uma mensagem urgente fora entregue apressadamente ao príncipe na noite anterior. Lorenzo de' Medici estava morto. Fiquei estupefato com esta notícia, olhando para o chão, "é a ira de Deus sobre nós, então?" eu me questionei, "porque ele era o nosso homem mais sábio de todos, e com ele, toda a nossa esperança e toda a aparência de virtude deram sinal, por assim dizer, de partir. Em breve as calamidades da Itália começarão." Qual é a maneira como essas coisas geralmente acontecem: os males atacam dos lugares mais elevados, a partir dos cumes das montanhas, as neves derretem e inundam os rios.


Dois dias depois, de volta a Milão, constatei em vários relatórios aqui e acolá: sobre a parte mais triste das notícias, a população já estava convencida. Alguns falavam do santuário da Liberata atingido por um raio um pouco antes da morte de Lorenzo: outros ainda afirmaram que o médico, Pier Leone, que o havia atendido em sua doença, desesperado em salvá-lo, havia se jogado em um poço.


Dediquei alguns dias para o meu luto: mas não posso, meu Poliziano, desviar-me muito dos meus negócios, no qual devo ser o mais assíduo, pois se refere aos assuntos de outras pessoas e também aos meus. Esteja certo, porém, de que devo honrar nossa conversação com reverência na medida do possível, por assim dizer, se me responder, pois saiba que minha mente compreenderá: por toda a minha vida eu dei ajudas em tantas coisas, e que seja minha fortuna ter isso sempre dito de mim!


Mas dos assuntos públicos, ainda há mais na pilha. Pois, claramente, quem controlará a Itália, será freqüentemente colocado entre Cila e Caríbdis, muito parecido com aquele istmo que é estabelecido pela natureza entre os mares Jônico e mar Egeu de modo que suas águas fluem juntas em confusão. Sei que, naquele notável jovem Piero de' Medici, um cidadão do mundo, nossa aflição está muito diminuída. A autoridade de seu pai é imediatamente confirmada nele, com o mesmo decreto do povo. E esperamos e desejamos ardentemente que o bem-estar de toda a República seja direcionado sem restrições, para durar para sempre como uma única família. Não obstante, não posso deixar de lado minha dor pela perda de Lorenzo, e me sinto como alguém que geralmente se sente ao se ferir: quanto mais esfria, mais doloroso fica.


Quanto a isso, diante de sua devoção e de fato as imensuráveis calamidade e desastre , estou em dúvida se posso questioná-lo, a menos que você permita. No entanto, como é comum lamentar-se em companhia, e em prol da memória abençoada de Lorenzo, eu pergunto, quando tiver secado suas lágrimas por um tempo suficiente, se ele morreu naquele terror de alma, que no passado foi de praxe com seus parentes.


Seja como for, toda a nossa consolação, não duvido da esplêndida e louvável vida dele, mas registrarei para a posteridade includindo suficientes elucubrações de vossa parte: peço e oro para que o exponhas por escrito, o que quer seja deverá elevar a honra dele, o que quer que seja carregará sua memória e louvor.


Adeus.


Milão, 14 de junho de 1492



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