A Arte da Memória?

Lembrar é fácil para quem tem memória.
Esquecer é difícil para quem tem coração.
William Shakespeare



Um breve prólogo para a mística da Arte da Memória
(PRONAUS S.L.V.)

Vivemos em plena era da informação! A Google, uma das cinco maiores empresas do Vale do Silício, tem como missão organizar toda a informação do mundo para que sejam universalmente acessíveis e úteis para todos. E em sua visão empresarial, ela almeja que tudo isso ocorra em apenas 1 click! O seu produto número 1 se tornou o maior oráculo do momento. Tudo isso por causa do avanço do cérebro eletrônico com sua memória artificial, que se desenvolve a tal ponto de propiciar uma emergente pseudo-inteligência que nos impressiona a cada dia mais.

Os avanços tecnológicos passaram aparentemente a fornecer mais respostas na busca do saber. Isso porque, para a maioria das pessoas, o know-how (isto é, o saber fazer) se tornou preponderante. O utilitarismo se tornou a motivação indispensável de todo o conhecimento, sendo muitas vezes inspirado por uma questão de prazer ou sobrevivência. Nesta, se expressam todas as manifestações de um estilo de vida apocalíptico, pois sem limites é insustentável; e naquele, tudo aquilo em prol de uma vida repleta de praticidade: simplesmente fácil e confortável, a todo custo.

Na verdade, essa impressão de supremacia do saber utilitário surge do fato da quantidade de informação registrada ter aumentado com a evolução da memória artificial eletrônica. O acesso à informação também se transformou. Hoje em dia, com alguns clicks, somos capazes de fazer o download de uma quantidade de informações que ultrapassa facilmente o tempo de vida que dispomos para lê-las. Assim, sendo constantemente convidados a tudo saber, somos confrontados com o fato perene de que nada sabemos em verdade; enquanto que Sócrates, por meios internos, se tornou ideologicamente convicto de que a única coisa que ele sabia era: nada sei. Isso foi validado pelo oráculo de Delfos, sendo assim: o mais sábio, por vivenciar tal convicção. Parece que em nossa era moderna podemos chegar a uma conclusão similar, mas fatalmente por meio externo, tendo o invencível computador como nosso sofista que aparenta tudo saber através do oracular servidor da Google.

Na obra Fedro, Sócrates nos conta a história da invenção das letras pelo deus egípcio Thoth. Nesse mito, que se passa em Tebas, Thoth a apresenta para o deus Amon afirmando ser um elixir para a memória, o que fará os egípcios mais sábios. Nesse sentido, ele insinua que a escrita literal é um fármaco que os curará do mal do esquecimento, o qual é inferido como causa da ignorância humana. Porém, Amon discorda imediatamente de Thoth, dizendo que tal criação do hábito de armazenar o conhecimento codificado através de caracteres externos provocará o enfraquecimento da oculta memória imagética interior pela confiança em um utensílio de recordação externo, gerando o real esquecimento. Dessa forma, sabedoria (esotérica) não mais encontrará lugar, e o que se manifestará através de textos será uma sombra difusa extraída da mera manipulação artificial da informação literal (exotérica), livros que se reescrevem através de livros.

Segundo Platão em sua Apologia, Sócrates morreu por causa de uma denúncia escrita colocada à porta do palácio do arconte de Atenas. Se considerarmos Sócrates como um dos representantes da Sabedoria, parece que ela emana sua própria morte através dele, ambos mortos através da escrita.

Em nossa era digital, a escrita se torna cada dia mais numérica, pois saiba que toda informação é quantificada. Simbolizada em um sistema numérico binário (tudo é ‘escrito’ apenas com dois números: 0 e 1), ela é codificada, ordenada, processada e registrada. Eis que a tão venerada ciência tecnológica é artificial. Sim! Pois ela se fundamenta, com seu método lógico-quantitativo, na abstração da memória artificial. E com o avanço da complexidade dos sistemas tecnológicos, isso tudo se torna cada vez mais transparente e intuitivo para a nossa experiência como usuário final.

O método científico é um método empírico de elaboração do corpus teórico da Ciência. Esta pretende saber, pois na verdade ela é mera depositária de teorias, hipóteses que foram obtidas à partir da observação, postas à prova experimental dentro de condições específicas, e que não foram falseadas. Assim, ela exclui do seu âmbito domínios em que o seu método não pode ser aplicado, como a Filosofia e a Religião. Ela quantifica (neologismo: “numerisa”) a nossa realidade, criando uma abstração numérica da realidade material, ou seja, uma virtualização bem escassa e superficial do mundo material. Assim, como temos a impressão quase natural hoje em dia de que o que não se encontra no Google, não existe! Nessa ciência, e especialmente para ela como voz da verdade moderna, o que não pode ser medido em números, simplesmente: não existe!

Eis uma das grandes motivações pela qual não podemos esperar desse tipo de Ciência respostas para as quais o seu método atual não pode nos fornecer. Ligada ao poder temporal e motivada pelo controle das circunstâncias materiais, ela é totalmente baseada na memória externa (exotérica), mensurável e quantificável. Assim, ela não se ocupa do que é imaterial e atemporal, ponto.

Estamos na era onde toda informação é tratada a partir de dados registrados. Em virtude do aumento da capacidade de memória eletrônica e do poder de processamento desses dados, a grande moda atual é o Big Data. E a pseudo-inteligência artificial está diretamente ligada a tudo isso.

Assim como para a memória codificada em papel, a persistência dos dados armazenados na memória eletrônica consegue ultrapassar gerações. Porém, nenhuma memória externa consegue escapar do destino explicado no Sonho de Cipião de Cícero, e além disso, o método científico é bastante limitado no tempo.





No Pronaus da nossa Sociedade te explicaremos como usamos a famosa, porém esquecida, e quando lembrada mal compreendida, Arte da Memória Medieval para verdadeiramente elevar nossos estados de consciência.


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